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Análise | Returnal

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Returnal

Returnal é um roguelike AAA desenvolvido pela Housemarque em parceria com a PlayStation. O título foi criado exclusivamente para o PS5, reafirmando a relação que o estúdio constrói com a Sony desde o PS3. Será que o jogo apresenta as qualidades que tornaram a Housemarque confiável ao longo dos anos? É isso que você vai descobrir nessa análise!

Returnal: Uma Jornada Introspectiva

Pela primeira vez em sua história, a Housemarque adiciou um forte componente narrativo em um jogo de sua autoria. Returnal conta a história de Selene, uma astronauta que acaba ficando presa em Atropos, um planeta inóspito cheio de mistérios.

Com um total de 3 atos, a história de Selene é contada através de flashbacks que são ativados quando você entra em “sua” casa no planeta. Ao todo são 6 sequências que explicam toda a história e o que se passa na mente da astronauta.

Curiosamente, a narrativa apresenta diversas similaridades estruturais com outro jogo – Hellblade: Senua’s Sacrifice. A história de ambos os títulos convidam o jogador a explorar a psíque da protagonista para uma melhor compreensão da trama. Apesar de existir esse foco narrativo, o brilho de Returnal reside em outro elemento: sua jogabilidade.

In Housemarque We Trust

Returnal é a conclusão de anos de trabalho e experiência acumulada pelo estúdio. Conhecidos por criar jogos arcades maravilhosos como Resogun e Dead Nation, o gameplay é o molho de tomate da pizza Housemarque. Aqui, tudo funciona de maneira impecável e bastante responsiva.

Selene pode pular e se esquivar, e acredite, a mobilidade é uma chave crucial da sua sobrevivência em Atropos. Mexa-se a todo momento ou você vai morrer em segundos. O arsenal da astronauta é vasto, repleto de tecnologia alienígena que vai te ajudar a despedaçar tudo que vier em sua frente. A variedade de inimigos é garantida graças a existência de 6 biomas distintos, cada um com suas espécies. Ao todo são 5 chefes, mas pode ficar tranquilo, o título apresenta diversos mini-chefes formidáveis que vão te dar trabalho.

Returnal

As diferentes armas do jogo usam o DualSense de uma maneira bem inteligente. Todas elas possuem dois tipos de disparo. O convencional, acionado pelo R2 e o alternativo, acionado ao pressionar totalmente o L2. Em suma, o L2 acaba tendo duas funções por conta da tecnologia do controle. Ao pressionar até a metade, ele faz com que Selene ative a mira da arma. Ao pressionar totalmente, você usa um disparo alternativo poderoso. O jogo possui mais de 10 mods distintos que permitem diferentes abordagens no quesito jogabilidade. Contudo, nada é permanente, visto que se trata de um roguelike.

O Loop de Returnal

Roguelikes são conhecidos pela sua “brutalidade” com o jogador. Morreu? Você perde quase tudo, apesar de ter um ou dois elementos que servem como upgrades permanentes. Jogos como esse costumam afastar a massa casual, e, em Returnal isto não é diferente. O jogo tem estado no meio de uma polêmica envolvendo saves. Não existe checkpoint ou algo do tipo nele. Morreu? Volta do começo. Caiu a luz? Volta do começo. Fechou o jogo? Volta do começo.

Antes de você ficar assustado, saiba que o jogo cria sim alguns atalhos mediante alguns pontos de progresso. Os dois primeiros atos consistem em três biomas distintos. O primeiro bioma de cada Ato serve como uma espécie de Hub. Como assim? A medida que você progride, você vai abrir portais direto para esses biomas no primeiro mapa do Ato em que você está. Isso traz uma enorme economia de tempo. Outra facilidade: derrotou um chefe? Você não precisa mais enfrentar ele. O jogo indica qual é a sala do chefe através do mapa.

O grande problema aqui é a falta de um senso de progressão. Em suma, as únicas coisas permanentes são os equipamentos de acessar locais de Selene e os desbloqueios de Mods das armas. Não existem níveis, você não fica mais forte e todos aqueles outros fatores envolvendo progressão. Isso certamente diminui o apelo do jogo para os players casuais, o que tem gerado diversas críticas. Se não fossem as particularidades por ser um jogo de PS5, ele dificilmente teria uma boa recepção.

O Brilho da Nova Geração

Pode-se dizer que Returnal é o primeiro jogo realmente exclusivo da nova geração. Além dos loadings, que não existem, o jogo entrega um trabalho formidável no uso do DualSense e, pra mim, o principal: na parte sonora. O trabalho realizado pela Housemarque faz com que os jogadores tenham a sensação de estarem jogando um filme de Ridley Scott. Graças a tecnologia 3D, que funciona bem até sem o uso de um headset voltado para ela, temos uma imersão enorme em Atropos.

Sim, eu sei que já tivemos jogos como Demon’s Souls Remake e Astro’s Playroom, contudo, estes dois anteriores poderiam tranquilamente serem executados no PlayStation 4 com pequenos ajustes. No caso de Returnal, a experiência definitivamente não seria a mesma no console antecessor.

Returnal: Vale a Pena?

A resposta da pergunta é: depende. Se você se considera um jogador casual, que quer apenas se divertir e não ser testado, fica difícil recomendar Returnal. Ele exige muita habilidade por parte de quem joga. No geral, o jogo possui grandes acertos e grandes tropeços, sendo o maior deles a falta da sensação de progressão. Construir todas as estruturas pautadas no RNG (aleatoriedade) também não ajudou o título. Em suma, apesar dos deslizes, o game consegue evoluir a “fórmula Housemarque” e deve agradar aos fãs de roguelike e/ou jogos arcade.

Returnal


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Publicado em 7 de maio de 2021 às 15:16h.
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